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23/04/09
Em comemoração aos dez anos da CIPÓ, quinta-feira (23/04), recebemos como convidados para conversa, conhecimento do trabalho dos núcleos da instituição, e apresentação de trabalhos Gilvã Mendes, autor do livro “Queria Brincar de Mudar meu Destino”, que será lançado sábado, (25/04) na 9ª Bienal do Livro da Bahia, e os jovens do Kabum Pelourinho e Pelourinho Digital, respectivamente.
Gilvã é muito divertido e inteligente. Contou-nos sobre suas dificuldades quando criança, a superação dos obstáculos, o desenvolvimento no processo de edição do livro, e a concretização do sonho.
A todas as perguntas Gilvã respondeu risonho, com simplicidade e paciência, sempre perguntando se entendíamos o que ele falava.
Suas palavras de inteligência encantam. E foram essas que me encantaram: "Qual o seu sonho? Ele é impossível? Quem não tem nada, não perde nada. Eu tive tudo pra dar errado: nasci negro, pobre, na periferia, vítima de paralisia cerebral e cadeirante. Poderia acomodar-me na situação, recebendo esmola mensal do governo. Mas não escolhi esse caminho. Porque eu tinha um sonho, e quem tem um sonho, tem muito. É preciso sonhar. Quem não sonha, não tem nada”.Tomei-as como incentivo.
Após a conversa com Gilvã, vedamos os olhos para escutar a cômica e irreverente radionovela do grupo Pelourinho Digital, que juntou-se ao Kabum Pelourinho, participando do “Caça aos Núcleos”, que objetivava encontrar as salas com características semelhantes as descritas no papel recebido, e conhecer suas funções.
Nós do Núcleo de Mobilização e Ação Política resolvemos fazer uma representação das funções. Eu apresentei o processo de clipagem das matérias relacionadas ao subúrbio e outros bairros periféricos; às crianças, jovens e adolescentes, dos jornais: A Tarde, Correio da Bahia e Tribuna, enquanto Daiane, Tainara e Wendell, apresentaram outras funções do Núcleo.
Foi uma tarde de delicioso entretenimento.


25/04/09
Sábado (25/04). Meu aniversário e também lançamento do primeiro livro “Queria Brincar de Mudar Meu Destino”, do autor Gilvã Mendes.
Todos do Núcleo de Mobilização e Ação Política, juntamente com os jovens de Feira de Santana e outros jovens acompanhantes, foram à Bienal prestigiá-lo pelo lançamento do livro, que aconteceu na Arena Jovem Oi.
Gilvã e o jornalista Gilberto Dimenstein conversaram sobre o tema O futuro é você quem faz? 




Após cada pergunta, ou relato de alguns amigos e professores que acompanharam a trajetória de Gilvã, um poema era lido.


Aos Capitães da Areia
Para Jorge Amado




Quem foi que disse que eu sou aleijado?
Quem foi que disse que só vivo numa cadeira prostrado?
Quem disse que não conheço de Salvador
Os becos, as vielas, ladeiras e botequins imundos,
Sambistas, malandros, putas, poetas vagabundos?
Quem disse que eu não conheço cada canto da Noite
Mágica da Bahia?
Que tem múltiplos cânticos, mas uma só harmonia,
que é dos baianos a escandalosa gargalhada,
fazendo das suas próprias tristezas piadas.
Quem disse que eu nunca joguei capoeira,
Nunca bebi cachaça ordinária nem fumei charutos
vagabundos?
Cada vez mais me torno dono desta cidade,
quando respiro, trago ela para aqui pro fundo...
Quem disse que eu nunca me aventurei
nas infinita e misteriosas ladeiras de Salvador?
Nelas já fui atrás de neguinhas, já corri de policiais e
guardas,
Com Pedro Bala, Gato, João Grande, Sem-Pernas e
Professor.
Sim, eu já fiz parte dos Capitães da Areia,
éramos verdadeiramente da cidade os capitães,
os poetas, os vagabundos, os heróis sem mães...
E como Pedro Bala, já sonhei em mudar o mundo,
como Gato, já pensei em ser gigolô, vagabundo...
Como Sem-Pernas, já tive pelo mundo um ódio
profundo,
Já tive vontade de jogar uma bomba e acabar com tudo.
E como o Grande João,
já quis ter um grande coração,
Como Professor, que lê livros e inventa aventuras,
eu faço o mesmo, para fugir de minhas desventuras...
E agradeço ao amado Jorge Amado,
Que me levantou da cadeira, e não me fez mais me sentir
aleijado...
Gilvã Mendes
Dava pra ver a felicidade no rosto de Gilvã. Afinal, era um dos muitos sonhos concretizado...



Ao final da conversa, Gilvã autografou e assinou dedicatória nos livros dos leitores.

14/05/09
Quinta-feira (14/05), fomos ao Instituto Mauá, onde aconteceu o encontro da Rede Ser-Tão Brasil, para assistir o seminário sobre Juventude e Políticas Públicas.
Fernanda Colaço, representante do Grupo Gestor da Rede, iniciou o seminário ditando a importância do mesmo para a Rede.
Assistimos uma rápida apresentação do cordel em poesia “O Cordel Estradeiro” (Cordel do Fogo Encantado), interpretado por um jovem representante do interior baiano.
Daniela Rocha da CIPÓ, e também conselheira do CONJUVE – Conselho Nacional de Juventude, definiu, e falou sobre os principais objetivos dos Conselhos e dos parâmetros da política nacional da juventude, acentuando suas principais ações e formas de atuação.
O papel, forma de atuação, e estrutura da CEJUVE – Conselho Estadual de Juventude, foi falado pelo Representante do Estado e do CEJUVE, Éden Valadares, que iniciou o “discurso” indagando as pessoas sobre alguns conceitos pessoais do termo “jovem”, e findou-o com as propostas e os projetos da CEJUVE.
O CRIAPoesia, interpretou vários poemas/ poesias e músicas. Dentre elas, “Como Eu Não Me Importei Com Ninguém” de Bertold Brecht, e “Toda vez que eu dou um Passo o Mundo Sai do Lugar” de Sibia.
O seminário terminou com a apresentação de Gilvan David, representante da Rede Avina, que falou sobre Redes e Juventude.
Estava programado para haver um debate após as apresentações dos representantes, porém não foi possível,era muita informação importante para um uma curta tarde.

15/05/09
Sexta-feira, (15/05), fomos a Sede do CECA – Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, participar da 143ª reunião ordinária do CECA, que pautou a programação das conferências municipais, estadual e nacional do CONANDA; edital para apresentação de projetos conjunto SPDCA e CONANDA; informes e aprovação da VII Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, e eleição dos conselheiros e representantes da sociedade civil do CECA.
Ao chegarmos, os representantes discutiam o novo projeto, que objetiva a mudança da lei, para que a sociedade civil tenha uma maior participação nos espaços de decisão do Conselho, o que requer mudanças em algumas Leis. Porém, as Leis não podem ser substituídas. O que pode ocorrer é a avaliação desta, e mudanças somente em alguns pontos para torná-la mais vigorante, pois uma Lei que está sendo aplicada e tendo resultado efectivo, não pode ser revogada.
Encontramos então um problema: a Lei reacionária. Uma lei permanente, sectária da reação política e social, que “impede” que as mudanças necessárias para aprovação e aceitação do projeto, seja vigorados, sem ir contra a Constituição Federal de 1998.
Uma nova assembléia do Conselho foi agendada para sexta-feira (29/05), com o objetivo de avaliar e elaborar o projeto.
A programação previa da VII Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, foi lida e aprovada pelos membros presentes, findando a assembléia.
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"A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele,
mas aquilo em que ele nos transforma".
(Antonio Rogério de Lima Grego)
Cena do espetáculo Milagre na Baía



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Tarde de sexta-feira. Minha pia entupida. A alegria gritada por Erik deixou no ar da sala um mormaço, como se o céu de claras nuvens e o vai-e-vem do sol não fossem suficientemente o bastante pra minha preguiça e tontura.
É monótono não ter Patrício aqui! Nem ao menos pra irritar-me e deixar-me alerta aos seus possíveis movimentos pelos vãos da casa...Que se encontra agora ocupada por eu e minha mãe, separadas pelos vãos e pelas significativas atividades.
Que ócio bom e cansativo este feriado.
Dia do trabalho e o ausente ânimo faze-me companhia...
O mormaço ainda persiste, mas já encontro forças ao ver que minha mãe delas dispõe-se.
Tenho que ir. É preciso afastar-me do teclado, levantar da cadeira, abrir a porta do quarto e ir a sala ligar para alguém.
Pretendo sair hoje à noite. Não quero mais um monótono copo de porre quando a lua acender.
Estou cansando-me dessa monotonia...