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Em cada momento,
A cada tempo,
Ele escorre e jé é outro.
Nunca o mesmo.


O vento vem trazer-me a resposta
Que não foi dita.
O silêncio ainda preserva as estranhas
Palavras indescritíveis.


Ao espasmo do meu esmo
Decidi abrir-me.


Ao tocar
E o imaginável ver,
O estranho, presente estava.
Sim. Ali. Grande e forte.


Seus olhos incógnitos em mim,
Sua boca um riso ignoto
E todo o teu ser
Eu senti


Fitei-o um instante.
Instante que o vento não levou,
Que não escorreu.
Perdurou.


E ali suspenso,
Vasto,
Intenso e profundo
O sentimento ficou
E por muito tempo durou...


Estremecíamos.
Osculo.
De nós,
Nenhum asco.





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E dormir teu sono
e sonhar com o vento
que te leva um beijo meu.
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Fernanda Mena, 23.2.04, Reportagem Local.
Vera Malaguti- Para historiadora, paranóia da segurança e controle social são heranças da sociedade escravocrata

 No Brasil, exalta-se o talento negro na passarela do samba. Já fora da avenida, qualquer atitude de um negro parece ser considerada suspeita, quase ameaçadora, a ponto de causar o assassinato do dentista Flávio Ferreira Sant'Ana, 28, morto por policiais militares em São Paulo, no último dia 3, depois de supostamente reconhecido pela vítima de um assalto. Ou a expulsão de um shopping, no Rio de Janeiro, de Luciano Ferreira da Silva, 18, afilhado do compositor Caetano Veloso, no dia 14.
A partir da análise de episódios como esses e como os arrastões nas praias da zona sul do Rio, em 1993, a historiadora Vera Malaguti, 49, pesquisadora da Universidade Candido Mendes e secretária-geral do Instituto Carioca de Criminologia, fez um estudo histórico sobre as raízes da cultura do medo nas cidades brasileiras.
O resultado está no livro "O Medo na Cidade do Rio de Janeiro -Dois Tempos de uma História" (ed. Revan), que analisa, desde os tempos da escravidão, a prática social alimentada pelas elites de delimitar o inimigo como o outro -no caso brasileiro, o negro e o pobre- e clamar por estratégias duras de controle e punição.
A estética da escravidão herdada pela sociedade contemporânea, segundo a pesquisadora, é muito presente na atual "paranóia da segurança" vivida no país.
"Se antes a fantasia era o quilombo, hoje o medo é da periferia e do morro", analisa. "As elites têm medo, mas é a população da periferia e da favela que vive o terror e a barbárie no dia-a-dia."

Folha - Como a sra. avalia a ameaça, em um shopping, ao afilhado de Caetano Veloso e a morte do dentista Flávio Ferreira Sant'Ana?
Vera Malaguti - Esses são dois dos milhares de casos que acontecem. No meu livro anterior, "Difíceis Ganhos Fáceis - Drogas e Juventude Pobre no Rio de Janeiro", tratei da questão da "atitude suspeita", que é uma abordagem policial comum, em que a população negra em geral é sempre suspeita.
Fiz um estudo de tipologia de processos de adolescentes envolvidos em atos infracionais relativos a drogas e separei todos em que se falava de atitude suspeita. Jovens negros e pobres apareciam detidos em "atitude suspeita" nas pedras do Arpoador, num táxi no Flamengo, jogando bola na praia. Ou seja, tudo aquilo que não é atitude suspeita vira atitude suspeita por uma questão histórica ontológica. O sujeito é suspeito por si mesmo. Por ser negro e pobre.

Folha - Como a sra. relaciona esse fenômeno com a escravidão?
Malaguti - O que ficou para nós hoje é a hierarquia estética da escravidão, que é muito consagrada e foi se acentuando com o neoliberalismo, que quebrou pontes como a escola pública para todos e aumentou a apartação.
Essa estrutura de periferia do neoliberalismo desvaloriza também a categoria do trabalhador. Os lugares vão ficando muito mais hierarquizados. E o medo ajuda a manter essa ordem de desigualdade sem questioná-la.

Folha - Casos como a morte do dentista e a ameaça ao afilhado de Caetano ocorrem por conta dessa herança?
Malaguti - Com certeza. No caso do dentista, se ele não fosse inocente, mas suspeito do assalto, isso bastaria para justificar a abordagem policial feita na ocasião.
Estatisticamente, ele seria um morto ignorado, como acontece no Rio quando a polícia sobe os morros, mata três ou quatro e diz que eram todos traficantes. De qualquer forma, isso não justifica a "pena de morte" aplicada no local, ou seja, a abordagem de atirar para matar antes de mais nada.
Essa abordagem é uma forma de homogeneizar toda a população favelada e negra. No caso do dentista, não se trata de culpar só a polícia. A vítima do assalto havia reconhecido o rapaz como o bandido. Mas, e se fosse realmente o assaltante? Estaria certo matá-lo?
No caso do shopping, o que houve de errado na abordagem daquele segurança foi o fato de o garoto ter uma aba de poder que ele absolutamente não imaginava.
Eu tenho pena é do segurança, que faz isso todo dia, foi treinado para afastar a população pobre do shopping e cometeu um "engano". Essa é a barbárie cotidiana que normalmente vitimiza quem não tem poder para questionar a ordem.
O que se percebe é que, na saída do regime militar, a sociedade era muito mais libertária. Hoje somos muito mais punitivos. Naquela época, todos estávamos convencidos de que esse tipo de comportamento era arbítrio. Hoje todos estão convencidos de que isso é necessário.
Esse é o grande paradoxo da democracia e do neoliberalismo à brasileira. Esses discursos do medo nos transformaram numa elite muito mais exterminadora. Na saída do regime militar, a gente questionava o arbítrio policial e, hoje em dia, ele é aplaudido.

Folha - Em que momento da história do Brasil acontece o encontro entre repressão e segregação?
Malaguti - No início do século 19, com o direito penal da escravidão. Justamente nessa conjuntura de 1830, logo após a Independência. Nessa época, o país deixou de ser regido pelas ordenações e, em 1824, tivemos a primeira Constituição. Depois, em 1830, tivemos o primeiro Código Penal.
E é isso o que instaura o que eu chamo de "ciladania" -conceito de cidadania que entra no Brasil e, ao mesmo tempo, desqualifica todo mundo que não é branco, do sexo masculino e proprietário.
Quando o liberalismo e seus diplomas legais entram no Brasil, você tem o tempo todo a desqualificação jurídica do escravo, que aparece como "coisa" perante o ordenamento político da vida privada e como "pessoa" apenas perante o direito penal.
E o neoliberalismo comporta esse legado escravocrata porque o tempo todo nós tivemos uma subcidadania. E isso quer dizer que, na verdade, nunca houve cidadania, porque este é um conceito que está naquela categoria na qual ou todo mundo é ou ninguém é. E esse conceito já entra no Brasil com ambigüidade.

Folha - Como essa ambigüidade se traduz hoje?
Malaguti - Toda a nossa visão perante a lei e a legalidade está impregnada dessa herança ambígua perante o conceito de cidadania. E, com o neoliberalismo, o que houve foi a substituição do estado previdenciário pelo estado penal. Loïc Wacquant, um sociólogo francês que trabalha em Berkeley [autor do prefácio do novo livro de Malaguti], fez um estudo nos EUA que apontou como a população desassistida pelo governo Reagan era deslocada para o atendimento penal.
O mesmo acontece no Brasil. As taxas de encarceramento por aqui subiram vertiginosamente com o neoliberalismo. São Paulo é um caso emblemático, e hoje tem mais de 100 mil presos. O mais impressionante é que as pessoas estão convencidas de que a pena é reguladora de conflitos sociais.
Durante a Revolta dos Malês, ninguém via os negros protagonistas daquela ação como heróis libertários, mas como bandidos. Eles foram criminalizados e seus advogados foram hostilizados porque questionaram sem querer a ordem escravocrata.

Folha - Em seu livro, a sra. aponta a Revolta dos Malês como um primeiro grande exemplo de disseminação do medo e da demonização dos negros e dos pobres. Quando se inicia no Brasil a prática do uso da violência e do discurso do medo como meio de controle social?
Malaguti - O medo do outro existe desde o Brasil Colônia, que exterminou os índios e os escravos. Mas, com a Independência do Brasil, em 1822, o país foi sacudido por desejos de nação. A idéia de nação -a grande questão brasileira do século 19- está ligada à idéia de um território e de um povo. Os ecos da Revolução Francesa, da cidadania e da República sacudiram o Brasil. Desde os Farrapos no Rio Grande do Sul até a Cabanagem no Pará, passando pela Revolta dos Malês, na Bahia.
Esse último caso é muito interessante porque, como diz João José Reis [historiador e professor da Universidade Federal da Bahia, especialista em escravidão], que tem um lindíssimo livro sobre o tema, eles representavam o outro porque eram negros, muçulmanos e liam e escreviam enquanto as elites eram analfabetas.
Foi uma revolta dizimada rapidamente, mas que impregnou na sociedade brasileira o medo da explosão, da insurreição. E isso perdurou durante muito tempo. A onda de pânico foi enorme, os negros eram supliciados em público como resposta ao clamor das elites por punição.

Folha - Essas ondas de pânico estão ligadas à ameaça às elites?
Malaguti - Há um trecho de "A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro de 1808 a 1850", livro da historiadora americana Mary Karasch, em que um viajante no Brasil diz ter ficado abalado ao ver "escravos agonizantes nas lixeiras".
Vou usar uma expressão comum no Rio, que é a vala. Aqui a gente convive com corpos de jovens negros jogados na vala, na caçamba. E isso é naturalizado. Só quando há um engano ou quando o morto é alguém da classe média a polícia é questionada.

Folha - O medo seria, então, um disciplinador social para as elites?
Malaguti - O medo é incentivado, ele interessa. Para se manter uma ordem muito injusta, só se disciplina por meio do terror. Mas quem é que está no terror? As elites têm medo, mas é a população da periferia, da favela que vive esse terror e essa barbárie no dia-a-dia. É a maneira de disciplinar no neoliberalismo. Não há emprego, não há políticas sociais, de saúde, de educação e de cultura. E aí entra o terror como parte do arsenal de estratégias do neoliberalismo.
Nos momentos eleitorais, muita gente cai por conta disso. Da direita à esquerda punitiva, ninguém tem coragem de enfrentar essa questão. Há diferença entre direita e esquerda quanto a posições econômicas, mas, na parte penal, quase todo mundo fala a mesma coisa. Quem tentar esvaziar o medo é criminalizado.

Folha - Qual é a conseqüência prática desses discursos duros sobre violência e segurança?
Malaguti - É a punição além do crime. É o controle social. Veja o caso das medidas de segurança no fim do século 19. Por exemplo, a vadiagem: o sujeito não cometeu nenhum crime, mas é preso antes disso. Como o caso da tal "atitude suspeita". Ou, como no caso do dentista, você mata antes de descobrir se o sujeito é ou não é criminoso.
Isso é também herança escravagista do século 19, quando havia o controle da movimentação dos negros, que só podiam se deslocar com um documento assinado pelo senhor, no qual estivesse escrito para onde iria, com quem falaria e quando voltaria.
A população jovem de periferia vive a permanência disso na forma como são abordados pela polícia. Um grupo de meninos da periferia se deslocando pela cidade leva dura da polícia toda hora.

Folha - No Brasil, a polícia foi criada com a lógica da punição racial?
Malaguti - Quando a polícia brasileira foi criada, sua função primordial era controlar escravos, reprimir quilombos e ajuntamentos e açoitar escravos em locais públicos. No primeiro presídio, 95% dos presos eram escravos.

Folha - Essa penalização racial e de classe está refletida, portanto, no comportamento da polícia?
Malaguti - De uma certa forma, a polícia é uma vítima histórica desse pensamento penal porque é induzida ao erro por uma pressão feita pelo que chamo de "discursos que matam": ondas contra a criminalidade, que brutalizam a juventude e a polícia, que é jogada a um tipo de ação violenta por uma opinião pública que está sempre clamando e achando que, quanto mais se prende, melhor.

Folha de São Paulo (23. Fev.2004)

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E agora estava assim... Dera para rastejar os chinelos pela casa, com passos preguiçosos antes mesmo do sol principiar a aparecer no horizonte.
Sentava-se na varanda a divagar, enquanto lentamente o sol nascia, alimentando seus pensamentos, iluminando a sua face, suscitando brilho no olhar. A brisa daquela manhã sempre lhe seria diferente das outras brisas, que vinham somente desvanecer as lembranças do amado, que partira sem o lisonjeio de uma despedida. Aquela misteriosa brisa, gélida e mansa, que impregnava-lhe o corpo enervado de menina, viera cicatrizar as múltiplas chagas   supuradas... Era curativo sem dor.
Há muito que o desamor a sucumbia. Estava enfermiça, taciturna, ofuscada. Deitada na cama, carecia-lhe forças pra se levantar. Mal sabia ele que era seu mal-necessário. A sua partida fora a das piores. Não houve choro nem súplica. Seus gritos tumultuosos estavam imersos em silêncio perturbador, misterioso.
Agora ali na varanda, fascinava-se com as cicatrizes estampadas na pele. O contentamento a invadiu e a fez vestir-se do céu; desfrutar dos raios mornos do sol; acenar à passarada que rabiscara o céu de gritos; ver o desabrochar das margaridas e seus beija-flores. Toda esse movimento incessante da natureza lhe era profuso. Orvalhou-se. Quedou-se no chão com a alegria de toda a dança. Acariciou em seu braço as estampas que o mal deixara. Reverberou-se luz e  vontade insaciável de viver. Não haviam mais dores.                   
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"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
 (Oscar Wilde) 
"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido 
todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os 
meus amigos."
(Vinícius de Moraes)
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O público que não conseguiu assistir ao espetáculo “Se Acaso Você Chegasse” terá mais uma oportunidade. A montagem fará apresentações nos dias 08, 15 e 22 de Julho, às 20h, no Teatro Caetano Veloso (Cabula).
Na história, uma mulher que nasceu para ser estrela. Desde cedo, botou a boca no mundo: para cantar, para mostrar que podia ser alguém, para se defender de tudo e de todos, em um mundo que sempre pareceu estar contra ela. Entretanto, como é dura na queda, levantou, sacudiu e deu a volta por cima. Hoje, ela é uma das divas da nossa música: Elza Soares.

O que? Se Acaso Você Chegasse
Onde? Teatro Caetano Veloso, Campus da UNEB, Rua Silveira Martins, 2555, Cabula
Quando? 08, 15 e 22 de Julho, às 20hs
Quanto? Valor único R$ 5,00


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"Mãe, nunca vi um anjo negro.
Não há anjos negros, mãe?
Todos os anjos são brancos.
Não há anjos como eu?
Olha, todas as asas são brancas.
Como os anjos que estão no céu.
Mãe, eu nunca vou ter asas?
Não há anjos como eu?
Mãe, não há meninos negros anjos, mãe?
Mãe, onde fica o nosso céu?
Queria ser um anjo mãe.
Não posso...
Não há anjos como eu."
(Poema da Encandescente)
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Estão abertas as inscrições para as oficinas do Ponto de Cultura Solar Boa Vista! São 16 oficinas em diversas áreas e ainda a criação de um núcleo de formação de atores com qualificação intensa. Haverá oficinas nos três turnos, movimentando o Parque Solar Boa Vista, e ao final delas, será montado um espetáculo, com direção de Fernando Guerreio, com a participação de algumas oficinas e a edição de uma pesquisa sobre o Engenho Velho de Brotas.

As inscrições deverão ser feitas no teatro, através do preenchimento de um formulário (lembre de trazer uma 3×4 e currículo, se você for se inscrever para o Núcleo de Formação de Atores), entre os dias 7 e 1 de Julho, das 10h às 19h.
As oficinas são: 
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Hoje apetece-me um sorriso, um carinho, qualquer coisa tua...
Hoje                      um sorriso                        qualquer
              
                                                   um carinho  qualquer
                                           
       apetece-me                                             qualquer coisa                           

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Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. 
Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem.
Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. 
Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.
(Manoel de Barros. Memórias Inventadas. A Terceira Infância.)


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Já não sinto minhas pernas, meus braços, os beijos, teu perfume, meu corpo, seus abraços... Como temo a fenda no chão do nosso quarto, a água gelada na xícara do chá, o mel no fundo da porcelana fria, as sandálias ausentes aos pés da cama, nem isso que não sei...
Mas tenho saudade do batom no espelho embaçado, das poesias gaguejadas, da tua voz em meus ouvidos, do teu riso, dos olhos a me fitar, de tua música a me (en)cantar...
Sou viola em tua mão, reinvento-me cordas em teus dedos.
Em teu abraço me fortaleço.


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E eu ia.
Eu ia ande queria, aonde não podia, aonde deveria...
Eu ia porque ria, porque lia, porque corria, porque queria, porque devia...
E minha vida?!
Quem podia?!
Eu lia, devia, deveria, queria, corria, ria, só ia...

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Perder-se: caminho
Perder        caminho
             se   caminho
Perde-se
                   caminho.   
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A UFBA (Universidade Federal da Bahia) aceita os pedidos de isenção de taxa para o processo seletivo 2011 até o dia 27 de maio. Os interessados devem se inscrever pela internet e imprimir o boleto de pagamento, no valor de R$ 5. 
O candidato que não tem acesso a internet, deverá procurar um dos postos de atendimento: 


  • Salvador
    SSOA - Serviço de Seleção, Orientação e Avaliação
    Rua Dr. Augusto Viana, nº 33 - Canela;


  • Barreiras
    ICADS - Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável
    Rua Professor José Seabra, s/nº (antigo Colégio Padre Vieira) - Centro;


  • Vitória da Conquista
    IMS - Instituto Multidisciplinar em Saúde
    Campus Anísio Teixeira - Av. Olívia Flores, 3.000 - Candeias.


  • Segundo a universidade, serão concedidas 8.000 isenções a estudantes que tenham cursado todo o ensino médio ou equivalente em estabelecimento da rede pública federal, estadual ou municipal. 
    Se houver mais de oito mil pedidos de isenção, a preferência será para os estudantes que tenham obtido maior média aritmética global nas disciplinas de português e de matemática, nas séries integralmente cursadas no ensino médio. 
    A relação das isenções concedidas será divulgada em 7 de junho. O candidato beneficiado deverá enviar, via correio, a documentação comprobatória de escolaridade (que pode ser consultada no edital), para o seguinte endereço: 

  • Universidade Federal da Bahia - UFBA
    Serviço Seleção, Orientação e Avaliação - SSOA
    Rua Dr. Augusto Viana, 33 - Canela (em frente à Reitoria)
    Salvador - BA CEP: 40110-160


  • A documentação também poderá ser entregue nos postos de atendimento, até 22 de junho. 
    A lista com as isenções confirmadas será publicada até 28 de julho. Todos os candidatos deverão efetuar a inscrição no processo seletivo no período de 3 a 22 de agosto. 
    Calendário:
    Inscrições: 18.05 a 27.05
    1º Resultado (pendente da documentação): 07.06
    Entrega dos documentos: 08.06 a 22.06
    Análise e Deferimentos dos Históricos escolares: Até 28.07

    ATENÇÃO :
    -Os candidatos isentos não pagarão nada pela inscrição
    - Os candidatos que requereram, mas não foram conteplados com a Isenção, poderão abater R$ 5,00 do valor da taxa de inscrição no vestibular. 




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    Poderíamos ser além do que somos, no entanto, ultrapassamos. Percebemos que ter sido namorados, não seria intenso e duradouro. Somo felizes com o que temos e conquistamos. Nossas conversas, sempre valorosas e reveladoras, no faz perceber quanta falta faríamos na vida do outro. Reconhecer de que o fim não está tão longe assim, nos aproximar mais, nos convida a perceber a importância de nós em nossas vidas nada simplificadas assim. Nos encontramos todas as vezes em que nos perdemos em nós. Bom ter você ao lado menino e sentir sempre teu fraterno abraço. Vamos viver enquanto ainda gostamos, crescemos, rejuvenescemos e temos alegrias diuturnamente. Não me importaria se errasse na escolha, pois seriamos felizes nesse gostoso erro póstumo, ainda não sabido. Mas ontem percebemos o tanto de dores que evitamos e, o tanto de alegria que tivemos, que temos e, que está por nos encontrar. Acertamos a medida de nossas vidas...
    Magoar e chatear-se foi preciso. Hoje reconheço que já poderia ter chegado ao fim e, que não ter existido, seria mergulhar em dores... Seria não ter descoberto o cuidado, o carinho... Teria sido não ter cativado, não ter lágrimas por tanto bem querer... Não saber que é melhor se sofrer junto que viver feliz sozinho.
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    No fim da tarde outonal, quando o sol se punha avermelhando o azul 
    do céu, a lua brindava  com estrelas, prateando e iluminando
    a noite, anunciando minha chegada.
    Após nove meses enclausurada, cheguei ao mundo!
    ...  
    "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, 
    que já tem a forma do nosso corpo, 
    e esquecer os nossos caminhos, 
    que nos levam sempre aos mesmos lugares. 
    É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, 
    teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
    (Fernando Pessoa)
    .
    [...]
    INFÂNCIA: A PERMANENTE EXCLAMAÇÃO
    Nasceu! É um menino! Que grande! E como chora! Claro, quem não chora não mama! Me dá! É Meu!
    [...]


    A PUBERDADE: A TRAVESSIA (OU O TRAVESSÃO)
    [...]
      -O que eu acho, Jorge-não sei se tu também achas-o que eu acho-porque a gente sempre acha muitas coisas-o que eu acho-não sei-tu és irmão dela-mas o que eu estive pensando-pode ser bobagem-mas será que não é de a gente falar-não, de eu falar com a Alice-
      -Alice tu sabes-tu me conheces-a gente se dá-a gente conversa-tudo isto Alice-tanto tempo-eu queria te dizer-é difícil-agente-eu não sei falar direito.


    JUVENTUDE - A INTERROGAÇÃO
      Mas quem é que eu sou afinal? E o que é que eu quero? E o que é que vai ser de mim? E Deus existe? E Deus cuida da gente? E o anjo da guarda, existe/ E o diabo? E por que é que a gente se sente tão mal?
    [...]
      Mas por que é que tem pobres e ricos? Por que é que uns têm tudo e outros não têm nada? Por que é que uns têm auto e outros andam a pé? Por que é que uns vão viajar e outros ficam trabalhando?


    AS PAUSAS RECEOSAS (RECEOSAS, VÍRGULA, CAUTELOSAS) DO JOVEM ADULTO
      Estamos, meus colegas, todos nós, hoje, aqui, nesta festa de formatura, nesta festa, que, meus colegas, é não só nossa, colegas, mas também, colegas, de nossos pais, de nossos irmãos, de nossas noivas, enfim, de todos quantos, nas jornadas, penosas embora, mas confiantes sempre, nos acompanharam, estamos, colegas, cônscios de nosso dever, para com a família, para com a comunidade, para com esta Faculdade, tão jovem, tão batalhadora, mas ao mesmo tempo tão, colegas, tão.
    [...]
    O HOMEM MADURO. NO PONTO
    Uma cambada de ladrões. Têm de matar.
    Matar. Pena de morte.
    O Jorge também. Cunhado também. Tem de matar. Esquadrão da morte. E ponto final.
    No meu filho mando eu. E filho meu estuda o que eu quero. Sai com quem eu quero.
    Lê o que eu quero. Freqüenta os clubes que eu mando.
    Tu ouviste bem, Alice. Não quero discutir mais este assunto. E ponto final.


    (UM PARÊNTESE)
    (Está bem, Luana, eu pago, só não faz escândalo)


    O FINAL... RETICENTE...
    Sim, o tempo passou... E eu estou feliz... foi uma vida bem vivida, esta... Aprendi tanta coisa... Mas das coisas que aprendi... A que mais me dá alegria... É que hoje que sei tudo... Sobre pontuação...

    (Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar e outras crônicas.
    Porto Alegree: L&PM, 1995. p. 88-91.)
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    Ainda na cama abri os olhos; o corpo gélido; lá fora, a chuva brincava com o vento e bailava as árvores. Sentei na cama. Ainda sonolenta, fui aos poucos invadida por uma enorme disposição.
    O chão estava frio, procurei meus chinelos e calcei os do meu irmão. Tomei um café doce com leite de vaca morno, e comi torradas com banana. O gosto de hortelã na língua oferecia um frescor pra manhã chuvosa. 
    Fui avisada da camisola quando estava no portão. Subi as escadas, desci de vestido e, penteei o cabelo.
    Atravessei a rua disparada. Havia tempo que não comia uma cereja, ganhava um abraço da casa 21 e, recebia bons dias sorridentes, enquanto pulava com as gotas de água que vinham do céu comigo brincar... 
    Um colorido de perfumes envolvia-me no banho de chuva outonal!!

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    Eu não tinha este rosto de hoje,
    assim calmo, assim triste, assim magro,
    nem estes olhos tão vazios,
    nem o lábio amargo.
    Eu não tinha estas mãos sem força,
    tão paradas e frias e mortes;
    eu não tinha este coração
    que nem se mostra.
    eu não dei por esta mudança,
    tão simples, tão certa, tão fácil:
     - Em que espelho ficou perdida
    a minha face?
    (Cecília Meireles)
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    A visceral cantora Elza Soares, foi o tema escolhido pela Arte sintonia Companhia de Teatro, para a montagem de "Se Acaso Você Chegasse", espetáculo musical inspirado na vida dessa filha de operário e lavadeira que encanta o Brasil desde os anos 60. A peça constrói um mosaico de acontecimentos da biografia de Elza Soares, entrecortada por canções do seu repertório, interpretados pela atrizes da montagem.
    Com dramaturgia do criativo Elísio Lopes Jr., autor do Amores Bárbaros e de Escândalo,  "Se Acaso Você Chegasse" tem direção geral de Antônio Marques, reunindo no elenco Denise Correia, Jôsi Varjão, Lívia França e Leonardo Freitas, atores da Companhia, e os atores convidados: Agamenon de Abreu, Anderson Grillo, Clara Paixão, Juliette Nascimento e Guilherme Ojis.
    Se Acaso Você Chegasse é um espetáculo para assistir, ouvir e vibrar com a Elza que, certamente existe em cada um de nós.

    O que? Espetáculo "Se Acaso Você Chegasse"
    Onde? Theatro XVIII, Rua Gregório de Matos, Pelourinho
    Quando? 02 a 25 de Abril, às 20h
    Quanto? R$ 5,00